11.05.2006

Tetayata Om Muni Muni Maha Monaye Soha



Bruno um dia falamos...
Passados mais uns dias da fatídica notícia, hoje posso sentar-me e tentar expressar tudo o que senti, que sinto, quem era o Bruno...
Não sou conhecido nem chegado dos mais entes queridos do Bruno, no entanto, a força e energia que eu e ele juntos transparecíamos era evidente. Tudo começou no curso de alpinismo nível 2 em Benasque, Pirinéus.
Embora não fizesse parte do curso, a desistência de alguns levou ao João Garcia (monitor do curso), convidar-me a participar, pois ele sabia a minha enorme vontade de aprender e estar presente em tudo o que era neve! Ligou-me numa quinta ao almoço a convidar-me para sexta feira seguinte arrancar-mos.
Como tinha sido "rebuscado" á última, desde a preparação da mochila ao pedido de ausência no trabalho, tudo foi um corropio, mas não podia negar.
Parti então rumo a Benasque de boleia no carro do João com o Bruno. Foi ai que conheci o Bruno! Toda a viagem foi uma constante de piadas e bom humor, realço o momento em que o Bruno troca de lugar como o João para este dormir um pouco e partilho a dianteira do carro com o Bruno.

É inevitável escrever isto sem largar umas lágrimas...
Chegamos aos pirinéus e para não ficar sozinho numa tenda, João convidara-me a ficar na tenda com ele e o Bruno. Foram as melhores 4 noites que passei sobre a neve e fez um frio enorme, mas tudo foi exclente, conviver com o Bruno, falamos sobre as nossas namoradas e o meu veganismo, o qual, como todos, brincava mas sempre dizendo que era excelente tudo o que preparava para a minha alimentação, que era feito tudo por mim e isso lhe admirava. Essa minha luta.
A partir dai, até hoje, sempre que precisei de algo o Bruno NUNCA me falhou, nem falharia, pois não fazia parte dele. Quando a "Webbit" foi em expedição de autonomia ás terras altas da Escócia, foi ele que nos ajudou nas dúvidas e nos emprestou material, pois não tinhamos piolets de escalada, pitons de gelo.
Lembro de uma aventura em que me esqueci das fitas dos crampons e ele sem levantar muitas "ondas", para que o João Garcia não me desse uma "descasca", deu-me uma das suas cordeletas, cortou-a e prendeu-me os crampons.

Cada vez que nos encontrava-mos brincava com as minhas tentências vegetarianas e como eu andava, quando abandonei o veganismo brincou opondo que não o devia ter feito. Perguntava como andava de amores devido ás nossas confidências nos Pirinéus. Um dia apresentei-lhe a Sónia, minha namorada, e ele a Paula, a sua namorada a qual não tive coragem de dar os meus sentimentos pela sua perda na missa em sua memória. Eu sinto-me assim e não imagino o coração de todos os que lhe amavam e viviam e conviviam com ele todos os dias.
Sempre que o via, as nossas gargalhadas era constantes, ao lado dele poucos estão tristes confesso. E brincava com ele, sobe uns skis que tinha e que guardara para mim, para eu os comprar, com a condição de que tinha de ser ele que me ensinaria...
Vi o seu sorriso pela última vez e o seu calor num abraço, quando me surprendeu em 4 de Setembro deste ano no Avante, onde eu trabalhava. Poucos dias depois partir para os Himalayas de onde não voltaria...

Mas estás cá Bruno e a tua imagem, o teu caracter, seres quem és permanecerá sempre e farás e fizeste de mim uma pessoa melhor ao ter-te conhecido e teres-me acolhido...

Este sábado passado Jorge Carvalho, o seu pai disse: "O meu filho era um anjo que estava na terra ". E eu só consigo pensar que não acredito que já não o ver no rócodromo, numa qualquer ravina nevada a amparar os meus erros...
Mais uma vez, um dia falamos Bruno, e no fim deste mês a "Webbit" irá colocar nan cruz do almanzor uma daquelas tuas cordeletas que me deste e estarei mais perto de ti. E um dia que coloque novamente bandeiras tibetanas de oração, quero que, montando no vento que és, as sopres e me abençoes, a mim e ao Daniel, nas nossas escaladas desta vida.
Se um dia existir em que eu ou o meu irmão percamos a vida numa qualquer montanha, ninguêm poderá dizer o quão arriscado é e o porquê de o fazer-mos, mas sim que nós tocamos o céu e que foi o Alpinismo que nos apresentou a ti. Tudo isso já valeu tudo a pena...
Obrigado por tudo Bruno e um abraço a todos os seus amigos e á sua família e namorada por terem estado lado a lado com uma das melhores pessoas que conheci.

Dos rapazes de Alcochete que não te esquecerão...

Tetayata Om Muni Muni Maha Monaye Soha

3 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Fiquei agora a conhecer um pouquinho do Bruno nestas tuas palavras e percebi que a vida faz sentido quando conseguimos vivê-la como secalhar o Bruno a viveu, como secalhar tu a vives, quando conhecemos estas pessoas que nos constroem, que nos aquecem o coraçao... Sao estas pequenas grandes homenagens que estao a aquecer o coraçao do bruno neste momento! És muito especial

5/11/06 15:48  
Anonymous Anónimo disse...

Mano, não seria possivel ler o que escreveste sem deixar um comentário, sim um comentário porque tudo o que eu podia dizer sobre o Bruno já tu o disseste. A verdade é que também o sinto, sinto-me uma pessoa preveligiada por ter conhecido o bruno pois tudo o que disseste sobre concordo plenamente, e quando ao Almanzor, tornou-se um Objectivo meu ir lá contigo realizar o que disseste. Foram lindas e não podiam ser mais apropriadas a palavras que disseste, e uma vez que não me foi possível estar presente na missa, aproveito para deixar um enorme abraço ao Bruno, a pessoa que parece que mesmo pelas pequenas intervenções que tenha com as pessoas, as marca, pois foi ele que me ensinou a fazer segurança com o grigri e jamais o esquecerei, um abraço para ti Bruno!

5/11/06 19:50  
Anonymous Anónimo disse...

Adorei 'conhecer-te', Bruno. Descansa em paz.

7/11/06 17:00  

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