9.12.2006

Finalmente encontrei o Diário da Viagem ás Highlands na Escócia

(...)o mais engraçado (que não teve graça nenhuma) era que em Fort William estávamos a não mais de 25 m de altura a partir do nível do mar e o topo do Ben Nevis, a maior montanha do Reino Unido, tinha 1340m e ter de subir esses 1000 metros com os 27kg que tínhamos nas costas, foi um inferno. Para quem perceba, foi subir 3 Formosinho da Arrábida! Conclusão, partíramos ás 11.00h e chegámos ao cume ás 19.40h, fracos e desnutridos, pois só tínhamos tomado o pequeno-almoço, 2 barras energéticas e água. Mas por vingança, após montada a tenda, preparamos um arroz de polvo e uma mousse de chocolate. Estávamos mortos, mas ter visto o por do sol, o nascer e acampar no ponto mais alto do Reino Unido, foi algo sem palavras.Samishii-ka!!!
Ás 12.00h começámos a descer pela aresta que liga Ben Nevis a Carn Mor Dearg. Tentamos não demorar muito pois não gostei das nuvens que se avistavam no horizonte e como o nosso pai, que amigavelmente encarregamos de nos ir informando do tempo, todas as noites e manhas por sms, tinha-nos dito que iriam haver rajadas fortes e alguns aguaceiros. Ás 15.40 então atingimos o cume de Carn Mor Dearg, uma foto e de seguida descemos pela aresta que descia ao Vale de Aonach Mor. Ás 17.30h decidimos acampar neste vale à beira de um pequeno lago.

24.03.2005
Já se passaram 5 dias desde a última vez que escrevi.Tínhamos acampado no vale de Aonach Mor e a noite foi bastante atribulada, chuva e rajadas de vento enormes, a meio da noite tivemos de sair para colocar rochas sobre as estacas pois a tenda parecia estar querer voar, pensamos que iríamos perdê-la. Mas aguentou-se bastante bem, excelente mesmo, boa compra, boa relação qualidade/preço.Sem dormir nada, pela manha bem cedo, ainda de noite, com nevoeiro, chuva e vento ainda, tentamos levantar acampamento e sair dali. A não existência de neve e todo o material que tínhamos trazido para um terreno nevoso/misto, iria dificultar-nos bastante a nossa progressão, decidimos então descer das montanhas, acampar num terreno mais calmo e seguro onde podessemos montar acampamento base para podermos deixar material e sair e voltar durante o resto da nossa estadia.
Então, neste dia, 21.03.2005, descemos o vale, por um terreno que se tornaria muito pantanoso. Lá montamos acampamento e descansamos o resto do dia e noite. No dia seguinte fomos a Fort William ao Banco tentar arranjar dinheiro, mas sem sucesso pois os nossos cartões não davam. Tinhamos poucas libras connosco e tivemos de alterar um pouco o programa. Além do esforço de carregar o peso do material desnecessario. A luta psicologica de tentar saber se o meu irmao estava bem. Sabia que 80% da sua cabeça estava em Portugal e o resto aqui. É dificil quando se ama desligar dos sentimentos ainda mais quando se está longe durante dias. Os jogos entre a vida e a morte tornam-se mais dificeis de jogar quando se tem alguem que amamos pelo meio. O frio, o longe de tudo, aqueles momentos de solidão em que caminhamos horas a fio sem mover uma palavra pois estamos absortos entre todo o mal psicologico e fisico e tudo o que nos rodeia. E no final tudo o que nos leva ao coração acaba sempre por nos tocar. E se do outro lado espera alguem para nos abraçar é sempre muito mais dificil... Com todo este discurso, parece que o factor pais é um pouco esquecido e na verdade até é, choramos sempre por amor sem saber que o amor pelos pais é eterno e essa eternidade leva a ser um sentimento quase banal e lembrarmo-nos somente nas piores altura. E no fundo eles estão sempre presentes...

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